Quem tem medo da bolha? Parte III – o déficit sem fim!

Vou seguir falando sobre os fatores potencializadores da bolha imobiliária. Hoje vamos falar de acesso ao crédito e déficit habitacional, dois escudos fortes que protegem o Brasil desse mal.

Para se ter uma idéia em 2012, o crédito imobiliário deve evoluir entre 15% e 20%. Comparado aos aumentos acima de 40% ao ano desde 2009, o resultado parece indicar um arrefecimento. A taxa menor reflete a queda de lançamentos em meio a uma “arrumação de casa” de grandes incorporadoras, que cresceram de forma muito rápida. A Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), vê, nos próximos anos, uma retomada da aceleração nos financiamentos para o setor.

Os números do mercado mostram que há muito ainda a ser conquistado.

A Caixa Econômica Federal calcula uma demanda total de 9,3 milhões de unidades. O número inclui o déficit habitacional, que soma falta de moradias e edificações inadequadas, estimado pelo Ministério das Cidades em 6,3 milhões de unidades, e o potencial de consumo acrescentado pelas mudanças demográficas e socioeconômicas. Isso apenas no segmento residencial.

Comparar essa estimativa com o número de lançamentos da indústria da construção em 2011 pode fornecer uma ideia do que representa essa demanda potencial. No ano passado incorporadoras colocaram no mercado 214 mil unidades, número que inclui residências, espaços comerciais e o segmento hoteleiro. Somadas a 264 mil unidades – a média anual das entregas do programa Minha Casa, Minha Vida –, resultam em apenas 5,1% da necessidade total calculada pela Caixa.

Um estudo sobre potencialidades do mercado imobiliário brasileiro, realizado pela consultoria Ernst Young & Terco, revela que até 2030 cerca de 2,5 milhões de novas famílias surgirão por ano no Brasil. Tanto para suprir o crescimento da demanda quanto reduzir o déficit habitacional, o relatório estima a necessidade de construção de 1,745 milhão de novas residências por ano, ou seja, triplicar o atual nível de entrega de casas e apartamentos.

Sendo assim o volume de lançamentos, embora tenha atingido patamares recordes nos últimos anos, tem conseguido suprir apenas o crescimento do mercado.  Uma constatação disso é que a procura vem se mantendo constante, mesmo com o aumento na quantidade de novos projetos. Não é isso que vemos em todo país?

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